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  Artigo 014
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Notas soltas

 Cavalo Árabe Turco

Congresso da WAHO em Istambul

 

Com os seus 780.000 km2 e 64 milhões de habitantes, a Turquia organizou o Congresso 2002 da WAHO (Word Arabian Horse Organisation), em Setembro passado.

 A cidade escolhida foi Istambul, ex-Bizâncio e ex-Constantinopla, com uma história de 26 séculos, capital dos maiores impérios que o mundo conheceu, e prova da glória e génio das civilizações romana, bizantina e otomana.

 Terra de cavalos e cavaleiros, a Turquia já só (!) tem 100.000 cavalos árabes registados, mas “num passado relativamente recente o seu exercito tinha cerca de 200.000, calculando-se que teriam existido ao todo uns 18.000.000 de animais”, naquele imenso território !

A visita que fizemos às Coudelarias estatais fizeram-nos compreender melhor estes números pela sua dimensão e organização. Encontrámos animais em geral muito fortes e funcionais, diríamos aqueles a que pessoalmente gostamos de chamar o “Árabe antigo”, resistente, útil e melhorador de todas as raças.

 A actual Direcção Geral do Cavalo Árabe Turco, foi criada em 1924, depois do estabelecimento da república, tendo como finalidade especifica o melhoramento da raça.

Existem três grandes coudelarias estatais. Karacabey possui 164 éguas e 16 garanhões, Anadolu tem 115 reprodutoras e 14 padriadores e Sultansuyu alberga 105 fêmeas e 15 machos.

O efectivo actual foi obtido sobretudo a partir das Coudelarias Imperiais e dos árabes originários da província turca de Sanliurfa, mas também de algumas importações feitas do Iraque, Síria, Líbano e Península Arábica.

 Os reprodutores foram escolhidos entre as mais de 100 famílias de éguas e 50 famílias de garanhões que existiam. Entre elas distinguem-se particularmente as famílias “Seklavi” e “Hamdani”.

Com as técnicas mais avançadas obteve-se o chamado “Árabe Turco”, em que o fenótipo da raça PSA foi completamente preservado. No entanto, a principal selecção de reprodutores é feita segundo os resultados das corridas, o que torna a escolha muito severa pois na Turquia há mais de 1.000 corridas de árabes por ano !

Tanto mais que um animal que não obtenha sérias performances é imediatamente eliminado como reprodutor.

 Como resultado da severa selecção dos reprodutores, das 100 famílias de éguas só 35 são hoje usadas e das 50 famílias de garanhões só 7 reproduzem.

Entre as linhas de maior prestígio encontramos Sa’ad (Veliyulaht) que transmite uma magnífica conformação física, com muito osso, Avnullah (Kuheyletul Berk) que dá o ritmo, Kurus para o carácter e a performance em corrida, Alkurus e Seklavi que comunicam a estética e a nobreza, Hilaluzaman a velocidade e a força.

Mais recentemente, o garanhão de maior sucesso foi Stavet, que correu 58 corridas (!), ganhando 40 e obtendo 9 segundos lugares. Este cavalo teve os títulos de “Cavalo do Ano” em 1973, 74 e 75, “Garanhão do Ano” em 1980, 81, 82, 83 e 85, e enfim o de “Cavalo do Milénio”. A sua descendência é, evidentemente, de grandes campeões.

 

No Congresso, estavam representados aproximadamente 50 países e havia uns 600 congressistas.

 

 

 

Também a nível mundial vai ser instituída uma regra de identificação dos equídeos por um conjunto único de 15 números e letras, que informará sobre o país de origem, número do SB nesse país (que se manterá), organismo do registo do nascimento, etc.

Os animais importados devem usar sempre o nome seguido do ISO do país de origem.

O nome do equídeo não pode ser modificado ou deve ser obrigatóriamente seguido pelo nome de origem.

O número máximo de caracteres de um nome é de 27.

Nos nomes é proibida a utilização de números.

No Stud Book de um mesmo país, passa a ser proibida a duplicação de nomes, como por exemplo Vinci I e Vinci II. A minha sugestão de ser aconselhado juntar um sufixo identificativo (nome ou iniciais do criador ou da herdade) depois do nome, foi adoptada como recomendação (exemplo, em vez de Sesmaria II, escrever Sesmaria QF).

 

 

Foi decidido formar uma Comissão da WAHO para promoção do Árabe e contactaram-me para saber se eu aceitaria fazer parte dela.

 

 

 

Uma vez mais, com muita tristeza, vendo o que se faz fora das nossas fronteiras, concluímos que Portugal é dos países que a nível estatal menos acarinha a Raça Árabe, o que é pelo menos estranho se nos lembrarmos que também é um dos países que melhores animais tem (só “os Biarritz” têm 6 títulos de Campeões da Europa, 5 títulos de Vice-Campeões da Europa e dois quintos lugares em Campeonatos do Mundo !).

 

Aos nossos amigos turcos responsáveis pela organização deste Congresso, aqui expressamos o nosso agradecimento pela magnitude do acolhimento, pela impecável organização dos trabalhos e pela maravilhosa atenção que por todos nos foi dispensada.

 Manuel Heleno

 

 

Legenda das fotografias

 Foto 1 – A Mesquita Azul, em Istambul

 Foto 2 – A sala do congresso

 Foto 3 – O celebre Kuruz, em 1921

 Foto 4 – O importante Sa’ad, em 1920

 Foto 5 – A Coudelaria Karacabey possui 164 éguas e 16 garanhões

 Foto 6 – A Coudelaria Sultansuyu alberga 105 fêmeas e 15 machos

 Foto 7 – Alseklavi 24 (família Seklavi)

 Foto 8 – Demirkir (família Berk)

 Foto 9 – A fêmea Mahide 16 (família Sa’ad)

 Foto 10 – A fêmea Matra 66 (família Kuruz)

 Foto 11 – Satvet, o “Cavalo do Milénio”, na Turquia

 Foto 12 – O emblema do Congresso

 

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